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Quando eu era mais novo, tinha um grande problema com os dogmas religiosos cristãos.

Não faz sentido sua passagem para o céu depender de regras e rituais. Quem não for para a missa, vai para o inferno! Como pode?

Logo, meu primeiro discernimento foi que, para ir para o céu, bastaria você realizar boas ações.

Se existisse algum Deus, ele com certeza priorizaria a sua bondade ao invés do dízimo que você paga para o seu pastor. Ponto.

Entra o Budismo

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Mas o que significa ser bom?

Algo que me marcou foi o conceito budista de que a nossa mera existência causa sofrimento ao mundo.

Até o então, eu acreditava que apenas os vis pudessem causar o mal. O problema era dos corruptos, dos bandidos e fascistas.

Mas assim como o símbolo do Ouroboros, a vida se alimenta da própria vida. O homem e seu desejo por prazer causam constantemente a dor para os demais em suas ações. Para o budismo, a única forma de vencer isso é eliminando o desejo e o Ego.

O conceito de bondade infantil que eu tinha se foi. Só me restava um mundo cruel e sem um Deus.

Yin Yang

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Anular a sua existência. Voltar para o Todo.

Meditar tão profundamente a ponto de você deixar de ser você ou remover a sua vida ao perceber que sua vida se resume a causar dor aos outros. Qual a diferença?

O mundo não poderia ser apenas maldade. Existir apenas para anular a existência não fazia sentido.

Preciso deixar claro que todos estes discernimento não são necessariamente verdade. Foram apenas as minhas interpretações na minha juventude.

Ao ajudar uma pessoa, você realmente está fazendo o bem? Primeiro eu achava que sim, mas ao perceber o problema dos desejos, ficava claro que apenas ajudo o outro pensando em mim. É como um pai que acha que está fazendo bem para o filho dando tudo o que ele quer. Pessoas devem passar por problemas.

Logo, se o bem esconde o mal, o inverso também é verdade.

Toda maldade pode trazer resultados positivos, ainda que dificilmente seja visto como tal. Sem problemas, pessoas não evoluem.

Imagine como seria um mundo onde todas as pessoas pudessem ter prazer ilimitado sem fazer esforço algum. Para alguns parece ótimo, mas a ideia me dá calafrios.

Bem e o Mal: Relativos complementares

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Quando um Russo vem ao Brasil, ele costuma andar de bermuda e camiseta mesmo no inverno.

Nossa percepção da Realidade depende de oposições. Só percebo o frio através do calor. E se meu padrão é um frio intenso, um frio moderado será quente.

O mesmo acontece com o bem e o mal. Uma vida perfeita não seria nada além do que pura neutralidade. Tão bom que fica chato.

Sem a dor, não perceberíamos o prazer. Seria algo sem valor.

Neste novo discernimento, surge novamente Deus e compreendo que os problemas do mundo são apenas para que a bondade pudesse ser percebida. Ele não é mais um velhinho nas núvens, mas sim algum tipo de força indescritível.

O bom existe e ele é bom. O mau existe e ele é bom.

Mas a questão continua, como o homem deve agir?

Qual a sua opinião?

Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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  • Aryane Gabriella

    Muito bacana essa reflexão! Assim como a maioria dos textos que li hj aqui.
    Não sei se vc já leu as obras não fictícias do C.S. Lewis, pois ele escreveu um livro chamado Cristianismo Puro e Simples que vai de encontro com as dúvidas apresentadas aqui no texto. Não pense que estou fazendo algum tipo de evangelização. rsrs É que o texto inteiro trata dos mesmos assunto desse livro e achei interessante lhe indicar!
    Ele também tem outro maravilhoso, O Problema do Sofrimento.
    Percebo que temos questões bem parecidas e acho que esses dois livros podem agregar ainda mais na sua procura! Dê uma chance a eles! 😉