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O cabalista é aquele que não divide as coisas entra boas ou más. Para ele apenas o bem existe.

Mas então de onde surgem os nossos problemas, infelicidades, guerras e doenças no mundo?

Nada disso existe.

É como uma criança que ainda não percebe as ordens e lições que seus pais lhe dão. Ter que dormir, arrumar o quarto e tomar banho parecem um grande mal em sua vida, pois nestes momentos ela precisa trocar o prazer que receberia de forma egoística (brincando, por exemplo) por um benefício que ainda não consegue sentir. Para ela, seus pais são maus, bravos e duros.

Tudo o que acontece em nossa vida é para o nosso benefício, mas quem é mais benéfico? O Bem ou o Mal?

A criatura, a pessoa ou mesmo a humanidade funcionam em estágios de maturidade, onde cada estágio representa uma forma de perceber e interagir com o mundo e com o egoísmo.

Em um primeiro estágio, que podemos fazer um paralelo com Katnut-pequenez, o homem não está preparado para o bem. Ele não consegue receber a luz com o propósito de doar e o faz apenas como recepção, algo que faria grande mal para a criatura.

Podemos entender a questão de doação como um benefício em longo prazo, já que o prazer será doado para um Eu-futuro. O contrário seria perceber o egoísmo como um prazer em curto prazo, onde o Eu-presente quer se beneficiar sem pensar nos resultados futuros ou naqueles ao seu redor.

“Se um partzuf não tem força para se contrapor a seus desejos egoístas de recepção nas Sefirot Biná, ZA e Malchut (AHP), sua parte inferior não está apta a receber a Luz do Criador, pois a receberá egoisticamente, dessa forma causando grande dano a si mesmo.”

Como assim?

Assim como é conhecido que “o homem aprende com seus erros”, o homem em pequenez aprende pela dor e sofrimento. Isto acontece por diversos motivos, como veremos à seguir.

Ao receber prazer, o homem se satisfaz e não quer mais receber prazer. Ex: você tem fome e quer comer, mas depois que come já não possui o mesmo desejo. Logo, entramos em um estado de zona de conforto e não queremos nada muito além do que já temos em abundância. O homem neste estágio se move principalmente pelos seus medos – trabalha porque teme ser pobre, ama porque teme ficar sozinho, etc.

Logo, ao receber o bem, o homem o absorve como um grande mal, pois deixa de querer crescer e aspirar pelo Criador – ignora o seu Eu essencial e superior.

Em termos emocionais, é como uma pessoa que satisfaz todos os desejos da vida e então não vê mais sentido para viver. Ela se torna apática, pois está recebendo um grande bem, se tornando satisfeita e ficando sem desejo para mais nada. É o que acontece com os milionários e pessoas de países muito ricos, onde a taxa de suicídio é altíssima. Outro exemplo são os envolvimentos  com drogas, onde a satisfação é tanta que é preciso de doses cada vez maiores.

Da mesma forma funciona o estágio de pequenez da alma, que só pode receber em seus vasos doadores. Por este motivo, quando estamos neste mundo (Olam Hazeh), recebemos apenas uma mínima fração da luz, necessária apenas para a nossa sobrevivência.

Só existe o bem

Ao acordar o ponto no coração e a intenção de doação, as coisas mudam.

Até agora, o bem nos fazia mal e o mal nos fazia bem. Polaridades opostas se atraem e se complementam. Entretanto, no estágio superior o bem faz o bem e o mal também faz o bem. Na verdade, só existe o bem.

Ao receber prazeres (a luz do Criador), o homem grande começa a perceber o mundo de forma diferente. Ele direciona o que ganha e continua recebendo afim de doar para o próximo. É como um pai de família que não fica conformado com a vida, pois tudo o que ganha é voltado para o bem de seus filhos. O oposto acontece com o filho, que se contenta com aquilo que ganha e pode se acomodar, ficando preguiçoso e mimado.

Mas não estamos falando apenas de dinheiro, pais e filhos. Estes são exemplos.

É a nossa percepção de mundo que funciona desta forma. Enquanto estiver vivendo seu estado egoísta, uma pessoa dependerá dos reforços negativos da vida e nunca conseguirá viver o bem. Não apenas isso, por evoluir apenas com parte dos estímulos, seu processo evolutivo será lento e doloroso.

Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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