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Segundo Epicuro, filósofo grego (341 A.C.), Deus não pode ser Onisciente, Onipotente e Onibenevolente ao mesmo tempo.

Este trilema utiliza como base o fato da existência do mal no mundo, isso porque:

  • Sendo Onisciente e Onipotente, ele percebe o mal e não faz nada para acabar com o mal, logo não pode ser totalmente bondoso.
  • Sendo Onisciente e Onibenevolente, ele percebe o mal e deve haver apenas o bem, logo ele não tem poder para acabar com o mal.
  • Sendo Onipotente e Onibenevolente, ele pode acabar com o mal e gostaria que houvesse só o bem, mas não possui poder para isso.

Para responder o paradoxo, o argumento mais comum e esperado seria: o mal existe para que haja livre-arbítrio. Se só houvesse o bem, não haveria escolha alguma.

Entretanto, Epicuro volta a questionar: se Deus é onipotente, ele não poderia ter criado uma existência com livre-arbítrio e apenas bondade? Em outras palavras, se Ele cria as Regras, então seria possível criar regras mais convenientes para todos.

Colocando os pingos nos i’s.

Para responder o paradoxo, primeiro é necessário definir alguns conceitos importantes.

O mal existe apenas como uma visão relativa à não compreensão da Realidade. Uma criança leva broncas para que aprenda algumas lições. Para ela, seus pais são tiranos que dão ordens absurdas como escovar os dentes, comer brócolis ou ir dormir. Ela não compreende as ações de seus pais e por isso as considera como más. Dentro do seu nível de egoísmo, ela não compreende o mundo ao seu redor e nem sabe como fazer bem para si.

Com a vida o processo é o mesmo. Os tropeços e problemas são indicativos evolutivos, ainda que não consigamos compreender a guerra, a miséria e as doenças. Se existe um propósito na vida, deve haver um indicativo de caminho e ele é a nossa sensação de bem e mal. Se erramos, sofremos com as consequências, mas se acertamos, colhemos os frutos.

Querer julgar a bondade D’Ele seria acreditar que a nossa medida e compreensão de bondade sejam suficientes, o que seria um erro básico de lógica. O homem não é Onibenevolente e por isso não consegue compreender esta mesma característica.

A ideia de que Deus tenha que acabar com o mal é relativa a de uma criança mimada que gostaria de viver apenas as coisas boas da vida, sendo sempre protegida pelos seus pais. Afinal, seus pais não o amam? Eles não tem capacidade de fazer apenas o bem sem que seu filho sofra?

Logo, o mal percebido está de acordo com as nossas capacidades internas de perceber a Realidade. O Mal não existe.

O Livre Arbítrio

O segundo ponto em questão é o Livre Arbítrio. É um erro acreditar que o livre-arbítrio depende da existência do mal. Na verdade é o contrário: quanto menor a existência do mal, maior o livre-arbítrio. Em realidade, segundo o que definimos anteriormente, o mal sequer existe, sendo apenas uma percepção infantil nossa.

 

Enquanto houver bem e mal, a escolha será sempre óbvia. O homem irá para aquilo que lhe der mais prazer e for melhor dentro das suas possibilidades perceptivas. A dor e o sofrimento só surgem pelo fato de que não temos capacidade de perceber os efeitos dessa escolha, já que ela é completamente baseada no Egoísmo.

Mas sendo Onipotente, não haveria outra forma?

Novamente, a pessoa que pensa dessa forma se engana em relação ao poder infinito. Mensuramos as decisões e capacidades de acordo com aquilo que consideramos real. Para nós, o tal poder infinito deve superar as Leis, enquanto que o poder na verdade são as próprias Leis. O Poder do homem é aquele que cria paradoxos como “Se Deus é onipotente, ele poderia criar uma rocha tão grande que nem mesmo ele poderia levantar?”, mas com isso se esquece que fazer parte do tempo e espaço para ter um corpo físico requer uma restrição do infinito ao finito. É impossível, pois desobedece qualquer Lei de um mundo benevolente.

Da mesma forma, qualquer virtude, para ser virtude, deve ser conquistada. Dentro dos níveis de causa e efeito, sem tempo e espaço, existem apenas inúmeras possibilidades, forças e leis. Um homem livre e virtuoso sem ter passado pela experiência da vida, do bem e do mal, não seria nada diferente de um embrião, cuja existência não faz sentido dentro dos propósitos da criação. É Adão no jardim do Éden, cuja liberdade era de comer todos os frutos. Ele podia, inclusive, comer do fruto proibido e ao mesmo tempo comeu e não comeu. Porém, sendo infinito o tempo no Éden, a nossa compreensão deve ser em nível quântico. Ele comeu e não comeu o fruto, mas apenas comendo que foi possível haver a queda para uma Realidade tempo-espacial.

A questão, por fim, não é a compreensão do Criador, mas sim a tentativa do homem de tentar ser mais inteligente do que ele próprio consegue.

Baixemos a bola.

 

 

Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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  • http://companhiadereisestreladaguia.meximas.com/ Roberto Hebert

    Sobre sua condicional “Se existe um propósito na vida, deve haver um indicativo de caminho e ele é a nossa sensação de bem e mal. Se erramos, sofremos com as consequências, mas se acertamos, colhemos os frutos.” Se não existe um propósito na vida, os acontecimentos são apenas cruzamentos de eventos aleatórios, mesmo que haja uma chance ínfima de terem acontecidos eventos sequenciais que parecem ter sidos perfeitos para que o universo criasse as condições de vida na terra, me parece razoável ter acontecido quando falamos em ausência de tempo (infinidade), o universo pode ter falhado muitas vezes antes de ter criado a sintonia fina. Se não existe um propósito na vida, posso relativizar o que é bem e o que é mal, mas uma coisa é verdade, o mal sempre está associado ao que causa dor e sofrimento ao ser humano, mas se pensarmos pelo lado natural, a natureza não distingue bem e mal, todos os dias predadores caçam ferozmente animais e os matam impiedosamente. Como todos indícios evolutivos apontam, o ser humano não é a espécie especial e surgiu pela seletividade, sem dúvidas se outros animais fossem providos de um sistema nervoso complexo como o nosso julgaria aquilo que é prejudicial à vida, que causa dor ou desconforto como mal, ao passo que o contrário seria o bem.

    • Ryo Matsuno

      Oi Roberto, obrigado pelo comentário! Gostei!
      Eu só debateria alguns pontos e o primeiro é a questão da infinidade, que não sei se entendi:
      Pelo próprio argumento, você diz sobre falhas… o que determina que existem acertos. Na natureza existem fatores que podem dar certo ou não. Prótons e Elétrons se equilibram. Se não houver equilíbrio, não existe formação. Existem leis naturais, como a gravidade e a das polaridades que formam toda a Realidade. O simples fato de existir uma Lei já determina que existe algo correto e algo incorreto – e considere aqui o lado científico e não o lado ético de “correto”.
      Posso considerar então que seguir as leis da natureza são um propósito. Ir contra o propósito vai gerar algo irregular e instável, impossível de acontecer. As falhas sequer acontecem. A gravidade funciona sempre, assim como o tempo não para por nenhum instante.

      Tudo acaba sendo propagado de acordo com a Realidade individual do nível em questão. Coisas acontecem e só acontecem por que existem leis que permitem isso. O Planeta tem um propósito. Ele faz parte de um sistema maior e abriga um sistema interno. Sem o inanimado, não haveria o animado e muito menos a consciência humana. Se leis permitem que algo exista, então na minha visão, chamo isso de proposital, cientificamente falando.

      E o ser humano realmente não é especial, mas ele tem a capacidade de se tornar. Por natureza, ele é puramente animal.

  • Charlie Smith

    Acredito que estamos limitando o pensamento a um mundo que “o mal é a ausência do bem”, “para haver acertos deve haver erros”, mas ainda sim, com um pouco de esforço é possível enxergar um mundo onde há o livre arbítrio sem o conceito de mal. O “mal” em pessoas se caracteriza pela arrogância e egoísmo(óbvio que não apenas isso), então, se observarmos e absorvemos o adjetivo mal numa pessoa, podemos dizer então que esta pessoa poderia muito bem ter sido bom, ele só se torna mal por uma construção psicológica na infância e adolescência, com más influências e ter sido apresentado a um mundo triste e com maldade(isso se ele já não nascer com transtornos), se tornando então uma pessoa com mágoas. O ponto que quero chegar é que o mal se construiu no mundo, os dois “lados” bem e mal só se tornaram caminhos com o tempo em que as pessoas mostraram ações como tal. De fato o mal não existe, afinal enquanto achamos que terroristas são maldosos e malignos, os mesmos acham que são bondosos e fazem isso por um bem maior, mas por que os que discordam sofrem por isso? Por que há sofrimento? Certo, não há forma de criar um mundo com seres de mesmo pensamento e que o livre arbítrio funcione. Mas trocando a frase de Epicuro: “Deus poderia ter criado um mundo sem o sofrimento?”, este, que seria um sofrimento causado ou não por outras pessoas. Okay, vai do livre arbítrio, mas nós vamos nomear o sofrimento causado por outra pessoa de mal, logo o “mal” existe.

    Valeu!! Bom post!

  • Goulart

    Ryo: você provou que, mesmo que deus(es) existisse(m) seriam totalmente irrelevantes.
    Adicionalmente, os paradoxos do tipo “Se Deus é onipotente, ele poderia criar uma rocha tão grande que nem mesmo ele poderia levantar?” apenas significam que nenhuma entidade omnipotente existe…
    “tentar ser mais inteligente” chama-se avanço científico e é, todos os dias, preferível à tacanhez, dogma e engano impostas pelas religiões.

  • https://cyberplaychat.blogspot.com.br/ Jคcк_Ŧlคg

    nossa, isso foi show de bola

  • Gilberto Pantoja

    Uma coisa: esse seu “deus onipotente” precisa de você pra defendê-lo?