bananalizacao

Sempre que ouço a frase “não leve a vida tão a sério” acabo fazendo algumas perguntas internas.

-Mas não é a vida a única coisa que eu tenho?
-Então eu devo achar que a vida é o quê?

Lembre-se que, enquanto você leva a vida na brincadeira, outras pessoas estão levando a coisa muito a sério. É importante não confundir uma mentalidade desapegada e Zen com uma atitude passiva, preguiçosa e imatura. Os monges possuem vidas muito regradas e tomam as suas práticas como extremamente valiosas e nunca vão aceitar que isto seja levado como uma brincadeira. Duvida? Entre em um templo e sente-se com os pés virado para o altar.

Espiritualidade Bananalizada

Parece que agora está mais fácil ser espiritualizado, mago merlin level 99, praticante do amor infinito da pica das galáxias. É uma banalização do espiritual sem fim. Ou melhor, uma Bananalização.

Não sei se é o jeitinho brasileiro, mas você já reparou como por aqui parece que o errado é sempre o normal? Qual moral alguém tem de criticar um governo se a pessoa não consegue nem chegar na hora certa no trabalho?

Nestes meses trabalhando com cursos esotéricos, a mensagem principal que passamos é: você é responsável por tudo que acontece na sua vida. Tudo representa algo interno.

O engraçado é que as pessoas acreditam realmente que aquelas sabedorias são sagradas e importantes para o desenvolvimento das suas vidas. Ainda assim, 90% delas não consegue chegar na hora correta. A maioria também não faz os exercícios propostos e costuma ter presença inferior a 70% das aulas.

Percebo que não é uma questão de conhecimento X ou Y que falta para as pessoas. Falta religiosidade, no sentido de considerar a vida algo sagrado.

A importância da religiosidade

Quando eu estudava música, eu ficava junto de algum instrumento por cerca de 10 horas diárias. Eu estudava, treinava e praticava todos os dias e aquilo para mim era religioso. No começo do percurso eu sempre ouvia coisas negativas. Eu era o menino maluco que não largava o violão. Depois de alguns anos eu era o deus da guitarra que “por algum milagre ou talento” tocava muito bem.

Hoje com as artes marciais é parecido. Tudo no treino para mim é sagrado. Eu nunca falto e cada detalhe tem uma importância infinita dentro de mim. Ainda assim algumas pessoas acham incrível que eu tenha evoluido tão rápido. Não é feitiçaria. É religiosidade.

Me pergunto então qual é o bloqueio que as pessoas possuem em fazer as coisas da forma correta. De serem corretas. De se esforçarem dando o máximo de si. Me pergunto por que as virtudes se verteram em desvantagens. Se você estuda demais ou tenta ser um profissional dedicado, é o CDF chato que não sabe relaxar.

Mas os fatores sociais não podem ser utilizados como desculpa. Muito pelo contrário, afinal não há virtude sem os opositores. Não seria virtuoso ser correto se não houvesse a chance do incorreto.

O inglês que chega no horário não é virtuoso ou religioso. É algo natural que não exige esforço e superação. É uma oportunidade enorme que temos em sermos justos, honestos e pontuais neste pais. Viver em uma terra de erros é justamente o teste final das nossas qualidades. Mas como sempre, existem dois tipos de pessoas: As que levam a vida a sério e as que brincam.


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Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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  • Mario Arnaldo Batista Verdibel

    É pra levar a vida à sério, mas não tão à sério hehe