bolo

Hoje eu saí da aula de Cabalá com um desejo ardente por algum doce, como uma fatia de bolo muito bem feito.

Fiquei perambulando pela Paulista tentando encontrar algo que chamasse a minha atenção, até que encontrei um doce com boas energias – um tiramisu de ótima aparência.

E eu comi o doce. E ele estava incrível.

Saboreei cada pequeno pedaço daquele potinho e pude receber todo o prazer que me aguardava diante de tamanha carência. A satisfação foi enorme, mas ainda assim eu podia sentir que havia mais desejo dentro de mim.

Sai andando procurando por outro doce, mas agora que havia provado o que era bom, estava ainda mais desejoso. Acabei escolhendo um Red Velvet do Starbucks, que por um acaso eu nunca havia comido.

Lá dentro, sabia que o doce não poderia ser tão bom quanto o anterior. Nada havia de ser. Ainda assim, aquela fatia enorme de bolo parecia satisfazer um desejo de receber dentro de mim.

Dei a primeira mordida e já me sentia mais satisfeito. O bolo não era tão bom quanto o Tiramusu anterior, mas era bom. Eu podia ter parado ali, mas continuei comendo e em breve já estava enjoado. Todo o excedente daquilo que me satisfez foi desgostoso e no final eu me sentia pior do que se só tivesse uma vontade latente dentro de mim.

Irônico ou não, há algumas aulas tínhamos visto justamente isto. O prazer e a felicidade não surgem da satisfação dos nossos desejos. Quando estamos satisfeitos, ficamos enjoados e nossos desejos se transbordam.

Ou seja, se você quer comer bolo, não coma o bolo. Ou pelo menos não coma muito bolo. Agora faz sentido os pratos de rico serem tão pequenos.

PS: Transfira a sabedoria para as outras áreas da vida.

Stay Hungry.

 

Bônus Advanced – Escrutínio

Quando estudamos Cabalá seriamente, todas as nossas ações precisam passar por uma análise interna, um escrutínio. Nela estudamos as nossas intenções em cima dos nossos desejos e ações, como acontece à seguir:

Comer o bolo para satisfazer a sua vontade inata faz parte da sua natureza. Não controlamos os nossos desejos.

Ainda assim, é possível ter a intenção correta ao ser moderado e comer apenas um doce, sentindo prazer o suficiente para ficar bem. Esta é uma pequena intenção de doar em cima de um desejo de receber.

Já ao comer dois doces, a intenção se perde e o desejo de receber prevalece. Você quer receber egoisticamente o prazer acima das considerações sobre um bem maior, ou seja, de doar o prazer recebido em prol do Criador. Então você recebe prazer demasiado e surge algo como uma Bushah (vergonha) e você não consegue mais receber nada, ou mesmo ocorre uma quebra de vasos.

Caso houvesse a intenção de doar correta, eu voltaria para casa com uma atitude em Lishmá (em direção ao Criador) – ao invés de satisfazer um desejo corpóreo, utilizaria meu tempo para fazer coisas mais úteis.

Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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