egoismo

“Hoje estou me sentindo meio desanimada. Eu gosto do meu trabalho, tenho uma família que amo, mas ainda assim parece que me falta algo”.

“Eu não consigo focar em nada. Quando vejo, já estou perdendo tempo no Facebook”.

Estes são alguns dos muitos relatos que recebo sobre problemas pessoais e que possuem uma mesma causa: o egoísmo.

Poucas pessoas aceitam o fato, mas o Homem é movido por seus desejos egoístas. Embora acreditemos que temos escolhas e nossas ações são tomadas de acordo com a nossa razão, o fato é que nosso desejo de receber prazer é o real dono da casa. Nosso único cálculo é o da recepção de prazer, que nos faz seguir sempre os caminhos que nos tragam maiores quantidades de deleite.

Mas e as doações, a caridade e o trabalho voluntário? Não são pura expressão do altruísmo?

Imagine que você encontrou uma maleta cheia de dinheiro. Que dia de sorte! Então você fecha a maleta e repara que existe ali um crachá com as informações de alguém. Ok, neste ponto você tem duas escolhas, ficar com a maleta ou devolver ela para a pessoa de direito.

A questão não é a sua escolha, mas sim o motivador da sua escolha. Quem fica com o dinheiro sente mais prazer desta forma. Já quem devolve tudo também. Não existe uma escolha real, mas sim algo pré-determinado de acordo com a natureza de cada pessoa de acordo com cada situação.

Revisando então:

  • O Homem é puramente egoísta
  • Suas decisões são movidas não pela razão, mas sim pelo desejo de receber prazer ou de fugir da dor.
  • Logo, não existe escolha. As decisões são pré-determinadas de acordo com a natureza de cada um.

Depois de ter inferido isto, apresento duas questões fundamentais: Eu sou livre? Existe Livre-Arbítrio?

A relação direta entre Egoísmo e Liberdade

liberdade

Até agora foram realizadas apenas afirmações, mas como o autoconhecimento inclui a autonomia de pensamento, proponho a antítese da teoria do homem egoísta.

Sendo puramente egoísta, não haveria escolha. Somos indivíduos únicos e, se toda ação fosse realizada para nosso próprio bem, então sempre agiríamos de acordo com esta regra. Pensando desta forma, viveríamos em um inferno sem escolhas, apenas seguindo o fluxo do Universo.

Supondo um ser totalmente altruísta, não cairíamos neste problema. Ao pensar no benefício alheio, a escolha poderia ser sempre múltipla: posso doar para todas as pessoas, inclusive meu eu futuro ou passado. Entretanto, com toda a certeza não somos seres totalmente altruístas.

Desta forma, deve haver então alguma fração nossa que esteja além desta natureza egoísta. É a única forma de haver liberdade em nossas ações. Sendo egoístas não estamos escolhendo nada, porém ao eliminarmos o desejo de receber da equação, surgem novas opções fora da regra.

A questão é: Como desenvolver o altruísmo?

Mas antes disso, cabe um trabalho de autoanálise e crítica para percebemos o quão egoístas somos e quão longe podemos estar da Realidade desejada.

Todas as minhas ações são Egoístas

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Quanto mais estudo minhas ações e escolhas, mais me sinto envergonhado.

Conheço algumas pessoas que possuem o perfil que chamamos de “interesseiras”. Elas são suas maiores amigas quando lhes convém. Entretanto, se surge alguma outra distração ou companhia que as entretenha, você simplesmente deixa de existir.

Eu repudiava este tipo de atitude acima de tudo. Para evitar esse tipo de comportamento, me cerquei de apenas alguns amigos. Tento me manter sempre em contato com eles, seja saindo ou me certificando de que eles estejam bem.

Mas afinal, qual a diferença das duas situações? Nenhuma!

Não existe relação sem troca. Se alguém deixa de me responder de acordo, seja um grande amigo ou não, a qualidade da nossa relação irá diminuir. Se estou ocupado, estudando, trabalhando ou namorando, vou falar menos com estes amigos. Se estiver entediado e quiser me divertir, vou atrás deles. Eu gosto destas pessoas porque elas me dão atenção, me respeitam e possuem os mesmos gostos que eu. Elas pensam parecido e, por fim, são muito parecidas comigo em certos aspectos.

E isto só significa uma coisa: a relação depende completamente do meu egoísmo.

Em todo o momento eu estou recebendo algo. Ainda que esteja oferecendo as mesmas coisas em troca, a relação se faz por acordo mútuo. Não existem amizades onde apenas você oferece tudo e não recebe nada, a não ser que você tenha um desejo muito grande por agradar aquelas pessoas – o que também tem um desejo de receber algo por trás.

Vejamos as nossas amizades de facebook. Até pouco tempo atrás, todos nós gostávamos de gifs de gatinhos, mas agora somos indivíduos “politizados”. Se você apoia as políticas que eu repudio, não te quero perto de mim. Você perdeu todo o seu valor. Agimos assim acreditando que nossas visões sejam as mais corretas, sem perceber que nossas ações são das mais egoístas.

Mesmo a mãe que ama seu filho está agindo por uma natureza egoísta. Ela faz o que faz porque acredita que seja o correto e porque sente amor, mas esta polêmica pode ficar como lição de casa para você.

Dois caminhos para a libertação

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Por um lado temos o caminho oriental da meditação, onde nossos desejos e pensamentos são diminuídos e, consequentemente, nosso Ego. Eis a proposta do budismo, por exemplo. Ao amansar a mente e diminuir o potencial do Ego, some a necessidade de recepção constante e podemos entrar em contato com nosso lado búdico através do Nirvana.

Pelo outro, surge a proposta da Cabalá, que primeiramente intensifica o Ego até que surja a grande necessidade pelo altruísmo. Como no relato citado no começo do texto, após satisfazer todas as suas necessidades, uma pessoa começa a perceber que ainda lhe falta algo. Apenas dinheiro, um trabalho e uma família não significam nada, pois todas estão ligadas com o desejo de receber. Assim como nossos estômagos ficam cheios e começamos a recusar mais comida, nossos desejos se esgotam, enquanto nossa sensação de prazer diminui. Então surge a necessidade por algo a mais. O que significa a vida? Qual o propósito de tudo isso?

Tudo o que é recebido deixa a sua importância para um sentimento novo. A necessidade de desenvolver a característica do altruísmo. Um pequeno ponto que estava adormecido precisa despertar de alguma forma. Começamos tentando ser bons e depois tentamos fazer o bem ao próximo, até percebermos que ambos são apenas espectros do nosso próprio egoísmo. Existe alguma forma de quebrar a nossa própria natureza?

Sim, existe. Mas não é um processo simples que pode simplesmente ser alcançado e é isso que a Cabalá estuda – um estudo tão longo que costuma levar dezenas de anos de auto aprimoramento.

Não cabe ao contexto explicar algo concreto, mas vamos listar alguns conceitos que circundam o desenvolvimento do altruísmo:

A – Intenção

A única forma de agir é através da intenção. O desejo é natural e incontrolável, enquanto que a intenção por trás da ação pode ser baseada em nossa reflexão. Por que estou fazendo isso? Estou pensando apenas em mim ou estou agindo para os outros?

Parece simples, mas não é. Realizando este estudo de autoconsciência, você começará a perceber suas intenções erradas em uma simples reação à algo bom para você.

Ontem fui avisado de que um evento foi adiado graças à manifestação na Paulista. Antes eu não poderia ir, mas agora eu estava feliz pela data ser mais conveniente para mim. Perceba: “para mim”. Quantas pessoas não foram prejudicadas pela mudança de data? E quão preocupante não é a situação política do país? Ainda assim, eu desconsiderei todas as pessoas e um país inteiro simplesmente porque uma data me foi mais conveniente.

Quantas vezes este tipo de coisa não deve acontecer por dia? E como diferenciar o egoísmo da própria intenção? Será que minha intenção não é simplesmente a de agir conforme a crença que me dá mais prazer?

B – Unidade

Sem o Ego, surge a percepção de que fazemos parte de uma mesma Unidade.

Vimos que, ao suprir nossos próprios desejos, estamos limitando a nossa própria satisfação, assim como um estomago que se enche de comida. Entretanto, ao suprir o desejo das outras pessoas e tendo uma aspiração por isso, é possível receber prazer sem fim.

Esta é a solução de correção da Cabalá. Ao estar em um grupo, nossa natureza é alterada para a mesma daquelas pessoas. Se todos buscam o desenvolvimento do altruísmo pela Unidade, a situação é simples: tudo o que faço é para o bem de meus amigos e com isso recebo prazer. Da mesma forma, meus amigos farão tudo por mim e então receberei também as ações.

É válido lembrar que, embora seja uma situação de duplo ganho, a intenção é a mais importante. Se houver a intenção de ganhar em dobro, ainda será egoísmo.

C – Desejo pelo Altruísmo

Ao desejar transformar a própria natureza, o homem começará a atrair para si as intenções corretas.

A questão é: quem costuma perceber o próprio egoísmo? E mesmo percebendo as suas ações, quantos se dedicam para mudar este fato?

Temos então pessoas que são egoístas e por isso não tem liberdade de escolha. Seus desejos ainda não estão prontos para aspirar pelo desejo de doar, pois eles não sabem ou reconhecem o que é isto. É necessário que a nossa natureza seja transformada por fatores externos, assim como temos vontade de comer algo diferente depois de  assistir uma propaganda.

Sem desejar desenvolver o altruísmo e o livre-arbítrio como prioridades em nossa vida, estaremos presos em um mundo de sofrimento e desunião.

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Sobre o autor - Ryo Matsuno

Escritor e Estrategista em Desenvolvimento Pessoal, criador dos sites AltoConhecimento.com e TeoriaDoViver.com.br . Músico nas horas vagas e pseudo empreendedor, seu hobbie é dominar o mundo.

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